quinta-feira, 5 de agosto de 2010

1975 - A História esquecida das palavras - BERLENGA


o escrivão da esquadra fIamenga e saxônica dos cruzados que auxiliaram D. Afonso Henriques a conquistar Lisboa aos mouros, Osberno ou Osborne, descreve nestes termos a chegada dos navios a Peniche vindos
do Porto (1143):
"No dia seguinte aportámos com felicidade à ilha de Peniche, distante do continente oitocentos passos. Abunda esta itha em veados e coelhos  também se encontra nela a planta do alcaçuz. Os tírios chamaram-na Eritreia e os cartagineses Gadir, que quer dizer "sebe", porque para além dela Já não há mais terra; por Isso se diz o extremo limite do mundo conhecido. Junto dela há ainda duas ilhas a qual o vulgo chama Berlengas, corrupção de Baleares,  e numa delas existe um palácio de maravilhosa arquitectura com muitos alojamentos de arrecadação, o qual, segundo dizem, serviu outrora de agradabilíssimo retiro particular de certo rei."

Admitindo a existência de um ou outro leitor de "A Voz do Mar" Interessado nestes assuntos vou, tão resumidamente quanto o permite a clareza, promceder a investigação etimológica dos nomes atrás transcritos começamdo pelo nesónimo Berlenga.

A procura dos étimos doa nomes não pode deixar de tomar rem consideração os doutos princípios enunciados pelo reputado etimologista francês Turgot, os quais se podem sintetizar nestas três alíneas:
a) Procurar o étimo na língua indígena a fim de se adquirir  o conhecimento da derivação.
b) Reencontrar a raiz achada através do derivado produzido pela alteração fonética;
c) Reencontrar o sentido determinado pelas mudanças semânticas.

Deste modo, e através de raciocínios apoiados em dados linguísticos bem determinados, chegar-se-á ao reconhecimento dos "fósseis" linguísticos e sua significação.

Ao falar dos antigos habitantes de Peniche o cruzado Osborne refere apenas dois povos, aliás, originários da mesma etnia: os tírios e os cartagineses ou, como também são conhecidos, os fenícios e os púnicos.
Na realidade, os exames antropométricos realizados em
(continua na p4g. 8)

(continuação da p4g. 10)
turais de Peniche corroboram aquela Informação porquanto neles foram detectadas características somáticas afins daqueles antigos povos (General João de Almeida, Relação das Estações Arqueológicas cio Continente).
Ë pois baseado na área linguística a qus tais povos pertenciam que irei pesquisar o nesónlmo Berlenga que o supracitado escrivão diz, equivocadamente, ser corrupção do nome Baearea. O nome Berlenga aglutina os
dois elementos lexicais ararnaico-cananeus Bar e La.ha significativos, respectivamente, de dillio» e «adeus». Anotarei, por mera curiosidade, que o pals aque se dá hoje o nome de Siria era outrora conhecido por Turia,
Tyria e Tiria e daí o chamar-se indiferentemente sirio ou tirio ao povo que habitava a estreita faixa de terra situada entre os contrafortes do Anti-Líbano e o litoral mediterrânico. Siria ou Turia (literalmente «terra dos touros ou dos deuses») era pois aquele pequeno país cuja principal cidade, Turo, Tyro ou Tiro, deu o nome à reglão. Tiro, à semelhança de Peniche, era igualmente uma ilha fortOEicada. Alinharei seguidamente algu
mas considerações relativas aos supracitados temas Bar e Laha. Na obra, a todos os títulos notável de Adolphe Lods, I8raei, das Origens até Meados do Sécaio VII a.. C., pág. 316, aquele autor refere alguns teónlmos
dos panteões fenício-palestinia nos onde entra o elemento Bar: Baraté (filho da deusa Até),
Bargôs (filho de Q68), Bardesdn (filho do deus do rio Dašsdn) e, repare-se, Barlaha (filho de Dens). A voz bar apresenta-se saturada de significação religiosa por remontar a sua origem lexical àquela fase cultural em que o homem concebeu as águas marinhas como a fonte de todas as formas de vida Inclusivé a pró
pria. Para os arameus a palavrabar enterrava o conceito de «filho primogénito), tendo os árabes perpetuado no seu léxico amesina palavra (grafada bahr) como denominação do mar. Os antigos cretenses ornamen
tavam a sua olaria com diversosmotivos marinhos dentro os quais sobressaía o polvo. Porqué este molusco como decoração dos vasos sagrados utilizados nas libações às divindades? Porque o polvo representava pa
ra aquele indómito povo, que antes de qualquer outro dominouo Mediterrâneo, o primogénito divino, isto é, o «filho, (bar) da «águas (Nu ou Na em egípcio). Foi da junção das vozes bare na que se formou o basco barns
e o latim e português perna. Adicção polvo vem, como se sabe, do grego polypoua que naquela língua queria dizer «de muitos pés». Este ser marinho, por te oito pernas foi pelos gregos chamado oktôpous (oito pés), nome que transitou para o Inglês soba grafia octopus. Segundo Philon de Biblos, Bahturo, Baeturo ou Baetuios era um dos grandes deuses fenicios, «filho do Céu e da Terra, Irmão de El, de Dagon e de Atlas. Ora é deste nome Baeturo ou Baetw. loa que derivou o grego Bartolomaic., — literalmente, «filho» (bar) do deus, (turo) «grande, (de malos) —, donde o actual antropónimo portugués Bartolomeu. Na escultura e pintura reli
giosa do Antigo Egipto as divindades apresentam-se, por vezes, sentadas com as pernas cru
zadas. Acontece que em grego os senhores ou deuses do Olimpo eram chamados Hunos, palavra
entrada no latim para denominar, quer a «perna, (crus) quer a rcruz, (crux) que com ela se
fazia. No próximo artigo irei inves tigar o tema Laha que, como acima disse, é o nome árabe de
«deus,.
BATALHA GOUVEIA

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